Uma palavra que pode definir o Pará é “imensidão”, ele é o segundo maior estado brasileiro e, com 1.247.954 km² de área, seria o 22º maior país do mundo, se fosse uma nação independente. Por isso, lá tem muitos lugares incríveis além dos destinos turísticos mais conhecidos, com uma incrível diversidade de paisagens e clima. Uma dessas pérolas que ainda não foram “descobertas” pelo turismo de massa é a Ilha do Algodoal, no litoral atlântico do estado!

Há duas histórias sobre a origem do nome de Algodoal, que fica a 189 km da capital Belém. A mais aceita é que o nome se deve a uma planta local que tem sementes com filetes brancos que lembram algodão. Outra diz que as extensas dunas de areia branca da ilha, vistas de longe, pelos primeiros navegadores a aportarem ali, pareciam algodão.

Essa areia fina e branca das dunas e praias, formadas pelo vento que sopra sem cessar, junto com a impressionante variação das marés, formam a paisagem peculiar de Algodoal. Com o vento, a areia parece “flutuar”, num efeito visual surreal! E como definir o que é areia e o que é água quando a maré desce? Sem falar que a ilha está virada para o Norte, o que garante o espetáculo do pôr do sol no mar o ano inteiro. Os canais de mangue que cortam a Ilha enchem e esvaziam com a maré. O passeio de barco pelo mangue é imperdível, com a vegetação típica do manguezal, as aves, como as garças branquinhas e os majestosos e vermelhos guarás, e os peixinhos conhecidos como “tralhotos”, que pulam da água e “voam”.

Para chegar a Algodoal é preciso pegar um ônibus ou van que leva pelo menos 3 horas de Belém até o porto de Marudá, de onde saem os barcos que em 40 minutos chegam ao cais da Vila de Algodoal. Dica: se você juntar um grupo de pelo menos 10 pessoas vale a pena fretar uma van “informalmente” nas proximidades da Rodoviária de Belém, e também fretar um barco para não depender dos horários (e eventuais atrasos) dos meios de transporte oficial. Como só se chega de barco, lá não tem carros nem nenhum outro tipo de veículo automotor. O meio de transporte oficial são as simpáticas charretes puxadas por burros!

As pousadas, restaurantes, casas de veraneio e a maior parte da infraestrutura turística ficam na Vila de Algodoal. A energia elétrica chegou apenas em 2005 e, embora já exista uma estrutura razoável, a pegada é bem rústica, mas é assim que a gente gosta, né? A população local é super receptiva e atenciosa e o sossego é total, quebrado apenas nos principais feriados, como o Réveillon, o Carnaval e a Semana Santa, quando milhares de turistas, vindos principalmente da região metropolitana de Belém, “invadem” a ilha. Mas como a área é imensa, é só se afastar um pouco da “muvuca” que se concentra nas praias da Caixa D’Água e da Princesa, onde ficam os bares e barracas de praia, e encontrar praias desertas e contato total com a natureza.

Da vila, você atravessa o primeiro canal, que separa a praia da Caixa D’Agua da Praia da Princesa, considerada a mais bonita. Após a curva onde fica a Barraca do Coco, do simpático Mateus, onde uma parada para uma água de coco é obrigatória, o vento aumenta e se concentram as barracas de praia que servem refeições e bebidas durante o dia. O PF de peixe frito com arroz, feijão, vinagrete e farofa da barraca Areia Branca é farto, gostoso e barato. O agito maior é no Bar da Pedra, onde à noite rolam festas com bandas ao vivo e DJs durante a temporada. Passando a pedra, continua a imensidão da praia, até o chamado Furo Velho, canal maior que separa a Praia da Princesa da Fortalezinha. Daí pra frente a praia é totalmente selvagem. Você também pode chegar à Fortalezinha a pé por uma trilha pelo meio da Ilha, que sai após a travessia do canal do Mupéu, ao lado do cais. É recomendável fazer a trilha com o sol mais baixo e o barco só chega à Fortalezinha, isso determina se é melhor ir a pé e voltar de barco ou vice-versa, se você não quiser encarar ir e voltar a pé, num total de 12 km.

Na época mais chuvosa, entre fevereiro e outubro, se formam várias lagoas de água doce nas dunas entre a Princesa e a Fortalezinha. A maior e mais bonita é a Lagoa da Princesa, imperdível se você for na época de cheia. O caminho até lá, feito parte de barco e parte a pé, também é lindo, com uma incrível variação dos ecossistemas entre o mangue, a restinga e uma área de cajueiros.

Os dias de passeio com muito sol e vento no rosto podem parecer cansativos, mas ninguém resiste a curtir a noite nos barzinhos, quiosques, restaurantes e sorveterias em torno da pracinha da Vila de Algodoal, onde todos ficam sabendo onde vão ser as festas movidas a carimbo e tecnobrega pra dançar até de madrugada.

O site Algodoal.com.br reúne pousadas, contatos de casas para alugar e outras informações úteis para quem quer descobrir esse paraíso no extremo norte do Brasil! Que outros destinos únicos do nosso país você conhece? Conta pra gente nos comentários e podemos falar sobre eles aqui!

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