A sensação de liberdade e comunhão com a natureza de se navegar em um veleiro é impossível de se transmitir! Só mesmo ali de pé no barco, controlando as cordas e velas e sentindo a velocidade e o som do vento, o sol e a água respingando no rosto, dá pra entender. Desde o início da civilização o ser humano desbrava oceanos nos barcos movidos à vela, e durante o século as técnicas e a ciência da navegação se desenvolveram muito. Com o surgimento dos motores à combustão, as grandes caravelas e galeões que transportavam mercadorias e armamentos foram substituídas pelos navios motorizados, mas os veleiros sobrevivem em comunidades tradicionais, como nos famosos jangadeiros do Nordeste do Brasil, e como esporte e lazer.

O Brasil sempre revela grandes talentos da Vela e já conquistou várias medalhas olímpicas com nomes como Torben e Lars Grael e Robert Scheidt. Mas o iatismo no Brasil ainda é visto como um esporte de elite, caro para aprender e praticar e que exige, além de um grande preparo físico, muito conhecimento técnico e teórico sobre os ventos, velames, cordas e navegação no mar. Mas há diversas iniciativas para se popularizar a prática do esporte e a atividade é indicada para todo tipo de pessoas, inclusive crianças, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção.

O Brasil tem um imenso litoral, e mesmo quem mora longe da praia tem as represas para praticar a Vela. Em São Paulo, por exemplo, temos a Represa do Guarapiranga, na zona sul da cidade, que concentra diversos clubes e escolas de iatismo, como o tradicional Yacht Club Paulista e a escola Dick Sail, que oferece cursos básico, intermediário e avançado para quem quer aprender a velejar. Há ainda o Clube Escola de Iatismo, mantido pela Secretaria Municipal de Esportes, que oferece aulas gratuitas para crianças de 10 a 16 anos durante as férias escolares!

As águas calmas e os bons ventos da represa são ideais para os iniciantes irem se familiarizando com as técnicas, e os cursos ensinam a conhecer os diversos tipos de embarcações, como identificar a direção e velocidade do vento, os controles e comandos dos barcos, as manobras, técnicas para desviar o barco e chegar e sair do ancoradouro, e tudo o mais para você saber velejar em segurança. Geralmente um curso de 20 horas é suficiente para ficar apto a velejar!

Os veleiros variam muito em forma e tamanho, e são divididos em categorias. Os mais populares para os iniciantes são o Optimist, Dingue, Snipe e Hobie Cat, que tem de 8 a 12 pés (2,4m a 3,6m) de comprimento e são manejados por apenas um velejador, assim como o da classe Laser, que é um pouco maior, com 4,23m de casco e ficou famoso com Robert Scheidt. Os da classe Star, que também já renderam muitas medalhas olímpicas para o Brasil, e são bem maiores, com 6,92m de comprimento e duas velas, e precisam de dois tripulantes.

O próximo passo e ganhar o mar! Em áreas de baía e mar fechado os barcos e o treinamento não são diferentes dos usados nas represas. Mas velejar em mar aberto é outra história. A Vela Oceânica traz mais riscos e emoção e exige um treinamento específico. Os barcos oceânicos são bem maiores, a partir de 34 pés (10 metros) e tem espaço para descanso, preparo de refeições, etc. Com eles dá pra refazer as aventuras dos navegadores da Era dos Descobrimentos e atravessar oceanos e até dar a volta ao mundo! Em Ilhabela (link post Ilhabela), considerada a Capital Brasileira da Vela, há vários clubes e escolas, algumas com cursos específicos de Vela Oceânica, como a BL3. No Rio de Janeiro, a empresa Mistralis, baseada na Urca, já realizou travessias de alto risco como a do Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul, e também promove cursos de Vela Oceânica.

As nomenclaturas técnicas e a perícia necessária para controlar o barco podem assustar, mas aprender a velejar é mais fácil do que você imagina e a sensação quando você finalmente estiver velejando vai ser tão boa que você dificilmente vai conseguir parar!  Que tal aproveitar esse verão que vem aí para aprender a velejar?

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